Dias mãeores

um blog de mãe para recuperar o tempo perdido em dias sempre mais curtos que o desejado

segunda-feira, outubro 31, 2005

caixas de memórias


Lourdes Castro, Caixa verde, 1963


A cultura material dos povos funciona como uma extensão da sua identidade, como se o que somos precisasse de matéria para se ancorar na vida e perdurar no tempo.
Um lastro feito de memórias-objecto, pequenas caixas, gavetas, armários, arquivos para etiquetar e arrumar identidades e experiências.

Despejar uma casa é um exercício de exorcização, dissipando fantasmas e largando amarras. (seremos capazes?!)

Do que fica, do que resiste ao difícil exercício de alienação resultam novas caixas, fragmentos, fantasmas de bolso, memórias portáteis feitas objecto, memorabilia, pequenos fetiches de viagem, caixas de sapatos grávidas de histórias, camadas arqueológicas na gaveta dos fundos... à espera de novo despejo.


E no entanto, se a vida coubesse realmente toda numa caixa de sapatos, o que lá colocaríamos?

6 Comments:

  • At 31 outubro, 2005 15:10, Blogger jordi said…

    Uma autobiografia?...

     
  • At 01 novembro, 2005 17:01, Anonymous Paimica said…

    Na caixa dos sapatos eu colocaria a memória do passado, juntamente com as gavetas e os móveis, as caixas e caixotes, onde ela está entranhada. Como seria fácil viver o presente e o futuro. Como seria fácil subir na vida. Em qualquer altura, poder-se-ia mudar para um oitavo andar sem elevador.

     
  • At 02 novembro, 2005 19:07, Blogger zm said…

    CD's de Dead Can Dance e um cdman.
    Placas solares para alimentar o cdman.
    Beijinhos.

    ZM

     
  • At 03 novembro, 2005 00:33, Blogger Ahraht said…

    Poria lá tudo. Arrumadinho, arrumadinho...para que não ficasse nada de fora.

     
  • At 04 novembro, 2005 10:29, Blogger daniel said…

    Fotografias, muitas fotografias...
    e um pacote de chá para, quem a abrir, saborear enquanto observa as fotografias.

     
  • At 10 novembro, 2005 19:53, Anonymous Margarida said…

    Adoro a pergunta, e ainda mais sabendo que não tenho resposta...acho que guardava aquilo que sem saber perdia, pensando que assim não me esquecia.
    As caixas são assim; tanto guardam como escondem....

     

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